quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Clientes de bancos digitais terão caixas eletrônicos para saques e depósitos


Os clientes de bancos digitais poderão conseguir agora sacar e fazer depósitos em caixas eletrônicos. Isso vai ser possível por meio de uma parceria entre a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e a Saque e Pague, que foi anunciada em agosto durante a Fintouch 2018, evento do setor que acontece em São Paulo. Fazem parte do projeto piloto a DinDin. Outras associadas da ABFintechs, como Nubank e Neon, poderão oferecer o serviço se fecharem um acordo com a Saque e Pague.

Hoje, correntistas de fintechs conseguem realizar transações digitais, como transferências e pagamentos, mas enfrentam limitações para saques e depósitos com dinheiro. Para sacar, precisam de cartões pré-pagos ou transferir a quantia desejada para uma conta bancária convencional. A Saque e Pague conta com rede de 1.100 terminais localizados em seis Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Alagoas, Pará, Rio Grande do Sul.

Parcerias como essa levam a atuação das fintechs a um novo patamar”, afirma em nota Stephanie Fleury, diretora-executiva da ABFintechs e CEO do DinDin, que faz parte do projeto piloto a ser implementado.

A Saque e Pague informa que a parceria permitirá que os mais de 360 associados da ABFintechs utilizem sua rede de autoatendimento. Um dos diferenciais é a possibilidade de realizar depósitos sem a necessidade do uso de envelopes.

Estamos preparados para atender esse mercado que só cresce. Nossa meta é incluir digitalmente e financeiramente milhares de cidadãos”, diz Givanildo Luz, diretor-presidente da Saque e Pague.


Curta nossa fanpage!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Lei de Proteção de Dados deve impor mudança cultural nas empresas brasileiras


A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que rege como as empresas podem armazenar, usar e tratar dados de cidadãos brasileiros, foi sancionada pelo presidente Michel Temer na terça-feira (14). As novas regras colocam o Brasil em linha com medidas existentes nos Estados Unidos e na Europa e devem impor uma mudança cultural nas empresas brasileiras, que hoje coletam e guardam informações sem necessariamente precisar delas.

Para a lei, é "dado pessoal" qualquer informação que pode identificar uma pessoa. A lei ainda estabelece uma categoria de "dados sensíveis", que inclui informações sobre etnia, opinião política e religiosa (bem como filiação a sindicatos ou organizações religiosas e filosóficas), informações sobre a saúde, vida sexual e dados genéticos ou biométricos. São abertas certas exceções para dados que a pessoa decidiu tornar público.

O Brasil chega a essa questão com muito atraso. A lei europeia GDPR, que entrou em vigor em maio, foi aprovada em 2016 e substituiu uma regulamentação da União Europeia de 1995, que já previa algumas das regras que o Brasil só agora vai passar a ter, como a obrigação de obter consentimento para processar dados pessoais.

O prazo para a lei entrar em vigor reconhece o trabalho que vem pela frente: 18 meses. Isso significa que a lei só deve começar a valer em março de 2020. Até lá, o governo também precisa propor uma alternativa à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que foi vetada.

O governo esclareceu que o veto se deve às atribuições delineadas na Constituição, segundo a qual apenas a Presidência da República pode propor leis que abordem a "criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica". Por isso, o governo deve redigir um novo projeto tratando apenas da criação desse órgão e enviá-lo ao Congresso.

Entre outras atribuições, caberá ao novo órgão fiscalizar o cumprimento da lei e definir padrões de segurança para a guarda de dados. Sendo assim, é praticamente obrigatório que o governo proponha a criação desse órgão ou setor e que ele esteja estruturado até 2020 para que a lei possa valer na prática.

Quando estiver valendo, a LGPD vai obrigar qualquer empresa que sofrer incidentes de segurança (como vazamentos) a relatarem o ocorrido para todas as pessoas impactadas. Será preciso informar quais dados a empresa acredita que pode ter perdido - exatamente como é nos Estados Unidos e na Europa. Hoje, as empresas não são obrigadas a vir público sobre esse tipo de incidente, o que significa que muitas vítimas de vazamentos jamais ficam sabendo que seus dados foram expostos.

O descumprimento da lei pode gerar multas de até R$ 50 milhões ou obrigar a empresa apagar os dados envolvidos. O governo vetou os artigos que previam a possibilidade de suspender as operações de processamento de dados de uma empresa por seis meses ou até indefinidamente.

Mesmo assim, a possibilidade de sofrer qualquer punição e de ser obrigado a provar que obteve consentimento das pessoas para armazenar e processar suas informações muda o raciocínio das empresas. Hoje pode valer a pena guardar alguma informação "só por guardar", mesmo que ela não seja necessária. Com a LGPD, toda informação armazenada pode se transformar em uma dor de cabeça.

É isso que vai obrigar as empresas a pensarem melhor sobre quais dados vale a pena armazenar -- e também de que forma isso será feito.

Proteções de privacidade no mundo
Consenso para armazenamento e processamento de dados: exigência prevista na Europa desde a Diretiva de Proteção de Dados, de 1995. Não há regra no Brasil hoje -- a regra será nova com a LGPD.

Autorização dos pais para uso de dados de crianças: previsto desde 1998 pela lei COPPA nos Estados Unidos. De forma semelhante, a LGPD obriga a obtenção do consentimento dos pais.

Notificação de vazamento de dados: a primeira lei a exigir que empresas avisem consumidores sobre dados roubados ou vazados foi aprovada em 2002 no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e entrou em vigor no ano seguinte. A obrigação também valerá no Brasil quando a LGPD entrar em vigor, 17 anos após a lei californiana.

Cookies: o uso de cookies é regulamentado na Europa pela Diretiva de ePrivacidade de 2002. O termo "cookies" não consta na LGPD e a lei exclui das regras os "dados anonimizados", como normalmente é o caso com cookies. Será preciso esperar a lei entrar em vigor e aguardar decisões da Justiça ou da autoridade competente sobre o tema.

Spam: o envio de mensagens comerciais é regulamentado na Europa pela Diretiva de ePrivacidade de 2002 e pela lei CAN-SPAM de 2003 nos Estados Unidos. O Brasil ainda não dispõe de regras sobre spam e não está claro qual vai ser o efeito da LGPD sobre a prática.


Visite nosso site e consulte CPF e CNPJ online | www.consultasflex.com.br



terça-feira, 12 de junho de 2018

Crescimento de fintechs deve diminuir juros de empréstimo


Elas aproveitaram a tecnologia e as vantagens oferecidas pela mobilidade e pela internet para inovar na área financeira. Agora, com a previsão de maior concorrência no setor, poderão ser os clientes os principais beneficiados pela criação das fintechs. Isso porque, com a recente regulamentação de operação para crédito, há grande expectativa de expansão dessas empresas. Por consequência, mais usuários passarão a ter acesso a serviços como seguros, investimentos, meios de pagamento e empréstimo. Esse último, inclusive, pode apresentar queda de custo para os clientes. Especialmente em função de novas resoluções terem aberto caminho para que as fintechs possam emprestar recursos próprios.


Conforme as medidas do Conselho Monetário Nacional (CMN), as fintechs não precisam mais ser vinculadas e uma instituição financeira convencional. Dessa forma, passam a poder operar baseadas em dois modelos. Um é a Sociedade de Crédito Direto (SCD), em que as empresas emprestam recursos próprios por meio de plataforma eletrônica. O outro é a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP). Neste formato, empresas ou pessoas físicas participam de uma plataforma para emprestar dinheiro a outras pessoas (peer-to-peer lending). Para o Banco Central, a medida cria condições para redução de juros e fomenta a inovação no Sistema Financeiro Nacional.

COMO VAI FUNCIONAR O SISTEMA DE EMPRÉSTIMO DAS FINTECHS
Segundo o CMN, o capital mínimo para que as fintechs possam operar em ambos sistemas é de R$ 1 milhão. Especificamente no modelo “peer-to-peer”, o limite de empréstimo por credor para cada devedor será de R$ 15 mil. Ou seja, uma pessoa pode oferecer empréstimos para CPFs ou CNPJs diferentes, desde que respeite esse teto em cada transação. Análise de crédito, cobrança, representação de seguros e emissão de moeda eletrônica também poderão ser realizadas pelas fintechs. Assim, sem a obrigatoriedade de intermediação por terceiros, operações de crédito como o empréstimo devem se tornar mais ágeis. E, principalmente, mais baratas.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Juro baixo demora a fazer efeito na economia


O Banco Central está confiante que os cortes de juros estão cumprindo o papel de estimular a economia. Os dados mais fracos deste começo de ano são oscilações normais numa trajetória de retomada consistente da atividade. Os juros bancários e concessões de crédito estão respondendo aos estímulos monetários.

Autoridades do BC tem repetido essas mensagens em encontros fechados e abertos com investidores, muitos dos quais estão céticos sobre o ritmo da retomada. Alguns deles fizeram estudos que sugerem entupimento em parte dos canais de transmissão da política monetária, como crédito e investimentos.

"Esse ciclo é diferente?", questionou, de forma retórica, o diretor de assuntos internacionais do BC, Tiago Berriel, em apresentações a investidores nas reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. Para o BC, não há nada de novo.

Estudo divulgado no relatório de inflação de março sustenta que, depois que o BC cortou a Selic, os juros bancários caíram e as concessões de crédito aumentaram, seguindo o padrão dos quatro ciclos de distensão dos últimos 15 anos. "A política monetária tem sido efetiva em reduzir o custo de financiamento e estimular o crescimento econômico", conclui o estudo.

Parece um debate apenas de especialistas, mas há repercussões práticas: se os juros não surtiram efeito para recuperar a economia da maior recessão em décadas, o Comitê de Política Monetária (Copom) teria que cortar mais. O BC defende a eficácia dos juros justamente quando anuncia que, em junho, pretende fazer uma pausa na distensão monetária.

"Os juros estão funcionando, mas não resolvem tudo", diz um ex-diretor do BC. Ele lembra que, em 2017, a economia andou com a ajuda da liberação de recursos do FGTS, com a boa safra agrícola e ganhos de renda real provocados pela queda da inflação. "Se os juros não tivessem caído, a situação seria ainda pior."

Essa não é a primeira vez que os economistas desconfiam que os juros perderam a potência. Nos ciclos de baixa de 2003 e 2006, o BC publicou estudos semelhantes para dizer que os estímulos chegariam à economia, bastava esperar. Em 2005 e 2008, sustentou a eficácia dos apertos. Em todos os casos, estava certo.

Desta vez, o que deixa os economistas inquietos é que já faz algum tempo que o BC começou a cortar os juros (outubro de 2016), mas os dados mais recentes são fracos. O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) teve queda de 0,65% em janeiro e alta de apenas 0,09% em fevereiro. O BC diz que oscilações de curto prazo nos dados são normais e mantém a sua avaliação de que a economia apresenta "recuperação consistente".

"A atividade de fato desapontou", diz um outro ex-diretor do BC. "Pode ser somente mais uma das muitas flutuações pelas quais passa um processo de retomada, sem nada de especial." Mas ele pondera que também pode estar havendo algum entupimento na transmissão dos juros à economia.

"Há uma frustração com a recuperação, que está mais lenta que o esperado, o que não representa apenas oscilações", afirma Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que tem acertado muito na leitura da economia durante e após a recessão. Uma evidência disso, afirma ela, é o fraco desempenho dos serviços, que pode ser explicado pela má qualidade da recuperação do mercado de trabalho e pelo desempenho aquém do esperado do crédito.

Pode ser, porém, apenas uma questão de tempo para os juros funcionarem a plenos pulmões. A defasagem com que os juros chegam na economia tem se alongado, à medida que a economia amadurece. Nos primeiros anos do regime de metas de inflação, levava de um a dois trimestres. Uma reestimativa feita pelo BC em 2015 em um dos mais sofisticados modelos de projeção econômica, o chamado Samba, mostra que o juro já leva de três a quatro trimestres para chegar à atividade. Há quatro trimestres, o Copom havia baixado os juros em 2 pontos percentuais; há três trimestres, a queda acumulada era de 4 pontos.

Um outro especialista em política monetária pondera que, mais do que a Selic, o que estimula a economia são os juros reais ex-ante (juros de um ano do mercado futuro menos inflação projetada), que têm uma alta correlação com a demanda privada (consumo mais investimento, exceto estoques) três ou quatro trimestres adiante. No primeiro trimestre de 2017, os juros reais médios estavam em 5,55% ao ano. É essa taxa ainda relativamente alta que determinou a atividade econômica que colhemos nos dados desde a virada do ano.

No segundo trimestre, a taxa real média caiu a 4,44% ao ano e, no terceiro, a 3,4% ao ano. Nessa época, o BC passou a afirmar nos seus documentos oficiais que a política monetária havia se tornado estimulativa. Esse impulso ainda está se transmitindo à economia. Nas últimas semanas, a taxa real caiu ainda mais, para 2,21%, o que representa um empurrão adicional - cujos efeitos serão sentidos entre fins de 2018 e começo de 2019.

O próprio BC reconhece que a transmissão da política monetária está sujeita a incertezas e quer mais tempo para analisar seus efeitos. Pela sinalizações feitas recentemente, o Copom pretende fazer uma pausa na baixa de juros a partir de junho para observar os dados - provavelmente por alguns meses - para checar se os estímulos tiveram o efeito desejado ou se foram muito fortes ou muito fracos. Daí, decidirá o que fazer.

Os juros afetam a economia por diversos caminhos, entre os quais os especialistas costumam destacar o chamado "canal intertemporal". Quando o BC corta os juros, o crédito fica mais barato e incentiva as famílias a tomar empréstimos para comprar imóveis e bens duráveis. Juros mais baixos também incentivam empresas a investirem.

Os economistas têm debatido se os bancos repassaram aos clientes os cortes da Selic. No relatório de inflação, o BC conclui que os juros bancários a pessoas físicas caíram de forma consistente desde outubro de 2016, acumulando recuo de 18,3 pontos percentuais, em linha com ciclos anteriores. Também conclui que as concessões reagem da forma esperada.

Alguns economistas chegaram a conclusões distintas, com metodologias diferentes. Ex-diretor de assuntos internacionais do BC, Tony Volpon, do Banco UBS, reuniu dados de 2006 a 2014 para estimar o comportamento dos juros bancários a pessoas físicas a partir de fatores como a Selic, a inadimplência e a lucratividade. Ele conclui que, em fevereiro, os juros bancários estavam 20 pontos percentuais maiores do que deveriam.

"Tem alguma coisa estranha acontecendo", diz Volpon. Ele não chegou a investigar a fundo o que fez os juros bancários caírem menos do que o esperado e não arrisca nenhum palpite - alguns analistas têm colocado a culpa na alta concentração bancária. Volpon diz que a falta de reação do crédito teve implicações práticas. "O Copom cortou os juros mais do que esperado neste começo de ano", diz.

Outro canal que alguns economistas acham que está entupido é o dos investimentos. Os empresários estariam adiando projetos de expansão devido à alta capacidade ociosa, incertezas ligadas à eleições e o alto endividamento. Alguns afirmam que a redução nos desembolsos do BNDES, depois que foram reformadas suas taxas de empréstimo, pode ter afetado investimentos. O BC publicou estudo em seu relatório de inflação que mostra que as empresas substituíram os empréstimos bancários por captações no mercado de capitais.

Volpon vê indícios de que os juros estão se transmitindo pela depreciação cambial, que puxa a demanda externa. Depois de bater na mínima de R$ 3,12 no começo do ano, o dólar subiu acima de R$ 3,40, em parte pelas incertezas sobre as eleições. "O canal do câmbio pode compensar um pouco da perda de efetividade na transmissão monetária pelo crédito", diz.

*Matéria publicada originalmente em VALOR.com.br
Curta nossa fanpage!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Bancos não receberão boletos acima de R$ 10 mil em dinheiro; saiba mais


O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou na quinta-feira (28) uma resolução que proíbe as instituições financeiras de receber boleto de pagamento de valor igual ou superior a R$ 10 mil com dinheiro em espécie. Além disso, o Banco Central  aprovou uma circular que determina que as instituições financeiras implementem registro específico de recebimentos de boletos pagos com recursos em espécie.

O conjunto de medidas tem o objetivo de aperfeiçoar os mecanismos de controle de prevenção à lavagem de dinheiro  e aumentar a eficiência do sistema financeiro, em particular, reduzindo riscos e dificuldades de gerenciamento e de controle nos pagamentos de boletos em espécie.

Para boletos de valor inferior a R$ 10 mil, as instituições financeiras somente poderão recusar pagamento em espécie se houver indícios de tentativa de burlar a proibição. As instituições deverão realizar ampla divulgação da medida a seus clientes e usuários.

A vedação para pagamento em espécie entra em vigor em 28 de maio de 2018 e a obrigação de registro específico em 11 de março de 2019.

Curta nossa fanpage!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Calotes no cartão de crédito atingem menor nível em 7 anos


A inadimplência dos consumidores no cartão de crédito atingiu o menor nível em sete anos, segundo levantamento da Abecs (Associação das Empresas de Cartões), com base nos dados do BC (Banco Central), divulgado no dia 30/01

Os atrasos no pagamento do cartão caíram para 6,2% em dezembro, menor patamar da série histórica do BC, iniciada em março de 2011. Um ano antes, em dezembro de 2016, os calotes estavam em 7,7%.

Segundo a Abecs, a queda da inadimplência é consequência da mudança na regra que limitou a até 30 dias o uso do crédito rotativo. A medida entrou em vigor em abril do ano passado. A redução dos atrasos no pagamento do cartão de crédito era um dos objetivos do setor de cartões e do BC quando definiram a nova regra do rotativo.

Conforme a entidade que representa as empresas de cartões, os consumidores passaram a usar menos o rotativo após a mudança da regras e estão pagando as compras à vista. Os dados do BC mostram que, nos últimos 12 meses, houve uma queda de 20,2% no volume financeiro de operações no rotativo, enquanto o valor das compras à vista e parceladas sem juros cresceu 12% no mesmo período.

Juros do rotativo Outro aspecto positivo foi a redução na taxa de juros do rotativo, que recuou de 15,5% ao mês em março de 2017 (antes da mudança na regra) para 9,6% ao mês em dezembro. Ainda assim, a taxa é superior ao juro do crédito parcelado (de 8,6% ao mês), que se tornou alternativa ao rotativo.

"Esses movimentos mostram que os objetivos propostos pela mudança foram atingidos e o consumidor tem aproveitado a nova regra para buscar uma alternativa de crédito mais barata e com pagamento em parcelas fixas, o que garante maior controle do orçamento", afirmou Fernando Chacon, presidente da Abecs.

Curta nossa fanpage!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Crédito deve crescer em 2018, após 2 anos de retração


Após dois anos em recessão, o crédito no Brasil deve voltar a crescer em 2018. Esta expectativa deve-se à queda no endividamento das famílias e por consequência, na queda na inadimplência, o que faz com que os bancos tenham mais confiança para emprestar.

Este cenário mais agradável na economia brasileira, com juros e inflação mais baixos, pode permitir, segundo executivos de bancos, que o crédito cresça entre 4,5% e 8,0% em 2018, isso tanto pra pessoa física quanto jurídica apesar de 2017 ter terminado sem solução do ponto de vista fiscal, com reforma da previdência adiada e eleições vindo por ai.

“De fato, os bancos estão otimistas em relação aos empréstimos ao consumidor”, avalia o analista do Deutsche Bank, Tito Labarta.

Mas mesmo com toda esta expectativa, os analistas que acompanham o setor bancário estão mais contidos. Casas como Credit Suisse, BB Investimentos e Bradesco esperam que os empréstimos cresçam mais próximo dos 4,0%. Isso porque, apesar de os bancos esperarem compensar a redução das margens por causa de juros mais baixos com volume, o temor de aumento de inadimplência no futuro faz com que, apesar de querer emprestar mais, os bancos sejam mais seletivos ao dar créditos aos clientes.

 - Consulte seu CPF ou CNPJ online! (Clique aqui)

Segundo as projeções divulgadas em dezembro de 2017 pelo Banco Central, o saldo de crédito total deve crescer apenas 3,0% em 2018 para pessoas físicas enquanto, para pessoas jurídicas, a autoridade monetária espera queda de 2,0%.

O início do ano servirá de termômetro com relação à melhora na concessão de recursos. Pelos cálculos do BB Investimentos, a expansão acumulada em 12 meses deve voltar ao terreno positivo já no 1.º trimestre de 2018.

“O crédito já está apresentando tração. O aumento da demanda é evidente no número de propostas diárias. Já sentimos aumento do crédito novo e não só aquele para renegociação de dívida. Isso está ficando para trás”, avaliou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, em conversa com jornalistas na semana passada.

No acumulado de 2017, o crédito caminha para mais um ano de retração, já que o financiamento novo ainda não é suficiente para suprir os vencimentos antigos. Até novembro, o saldo encolheu 1,3% ante igual intervalo de 2016, para R$ 3,064 trilhões, segundo dados do Banco Central.

Diante desse desempenho, o regulador revisou para baixo sua projeção. Espera que o saldo total de crédito não fique mais no zero a zero, mas que encolha 1,0%.
Gosto amargo. Ainda que 2018 possa ser o ponto de virada para o crédito no Brasil, o crescimento esperado pelo segmento está distante do patamar visto no período pré-crise, quando o saldo crescia dois dígitos no ano.

Na opinião do presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Hilgo Gonçalves, o País atravessa um momento divisor interessante, no qual, após anos de forte expansão dos empréstimos, com maior endividamento da população e aumento da inadimplência, há uma mudança de postura por parte de indivíduos e empresários no sentido de uma tomada de crédito mais consciente.

“Tivemos um excesso na oferta de crédito nos últimos anos. Sobrou inadimplência maior para os bancos. Mas o principal ganho da crise para o setor financeiro foi o aprendizado”, avalia Gonçalves.